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Tem bala de coco e peteca, deixa a
Ibeijada brincar!
Hoje é dia de festa, Ibeijada vem saravá!
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Introdução
Mesmo
quem cresceu em grandes cidades sabe que o mês de setembro, é dedicado aos santos
católicos Cosme e Damião e conhecem a tradição de entregar doces em seu dia comemorativo.
Com o surgimento da Umbanda, no ano de 1908, a veneração a São Cosme e São
Damião adentrou a nova religião, muito pela influência do catolicismo popular e
também pela influência africana, onde os orixás gêmeos Ibeji foram
sincretizados com os santos católicos. Alegria, risadas, doces... Tudo isso é o
que se vê em uma sessão onde incorporam os espíritos da Linha das Crianças,
também conhecido como Erês. Qual é a função dessa linha? Qual a origem dos
Espíritos que trabalham nela e como atuam? Essas perguntas nortearão nosso
despretensioso estudo.
São
Cosme e São Damião e a Linha das Crianças
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| São Cosme e São Damião não cobravam por seus atendimentos e recusavam qualquer forma de pagamento, exercendo a medicina por amor ao próximo. |
Cosme e Damião,
santificados pelo povo e depois reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica,
nasceram na região da Arábia, no século III. Desde jovens, a vocação para
medicina dos irmãos era notável e quando se converteram a fé cristã, passaram a
disseminar a religião através dos seus atendimentos médicos. Eles conheceram a
medicina através da Levi, conhecido como santo e curandeiro pela comunidade
local. Com sua experiência Levi os ensinou a prática médica, os ajudando a
atender os necessitados. Cosme e Damião não cobravam por seus atendimentos e
recusavam qualquer forma de pagamento que lhes oferecessem, exercendo a profissão
por amor ao próximo, essa foi uma forma eficaz de espalharem o Cristianismo. O
desenlace (morte) dos gêmeos é cercada de lendas, no entanto, historicamente
sabe-se que com a perseguição promovida por Diocleciano, no ano 300, eles foram
proibidos de exercer a medicina e logo depois presos, sob a acusação de inimigos
dos deuses do panteão romano. Depois de algum tempo de martírio, eles foram
decapitados, tornando-se assim mártires cristãos e sendo considerados os
primeiros santos médicos da Igreja. A devoção aos santos chegou ao Brasil no
ano de 1535, com a construção da primeira igreja católica do Brasil, na cidade pernambucana
de Igarassu que foi dedicada a eles.
São
Cosme e São Damião, foram sincretizados com Ibeji, orixás gêmeos, símbolos da
inocência e pureza infantis, que transmitem amor e alegria a seus médiuns
quando incorporados. Pelo fato do sincretismo aliado ao amor pela prática da
caridade manifestado na vida dos santos, na Umbanda eles se tornaram os patronos da Linha das Crianças.
Oxumarê e a Linha das Crianças
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Oxumarê, trono masculino do amor,
orixá de todos os movimentos e ciclos, é o regente da Linha das Crianças.
|
A
Linha das Crianças, é sustentada energeticamente, ou seja, é regida por pai
Oxumarê, trono masculino do Amor. Mas por que essa linha é regida por esse pai
orixá? Bem, os Erês simbolizam a ingenuidade e pureza das crianças, e a capacidade
destas de mudarem, com rapidez, seus sentimentos. Quem nunca viu um adulto
ralhar com uma criança e minutos depois ela estar junto dele o abraçando? As
crianças são verdadeiros professores espirituais! Pai Oxumarê por sua vez, como
divindade assentada no pólo negativo do Amor, atua absorvendo, diluindo e
corrigindo os excessos e desequilíbrios no campo dos sentimentos, e simultaneamente,
irradia energias de renovação. Oxumarê atua com os fatores diluidor e
renovador, pois sua energia movimenta-se mediante uma onda dupla, onde uma onda
age diluindo as negatividades dos seres, ao mesmo tempo que a outra onda vai
renovando-os. Dessa forma, esse orixá rege a Linha dos Erês, pois a criança
simboliza o renascimento, a renovação da vida, a inocência, a alegria e etc.,
ou seja, Oxumarê rege essa linha de trabalho justamente pelo fato dela nos
conduzir a reassumirmos a nossa “criança interior”.
É por serem
sustentados por Oxumarê que costuma-se dizer que os Erês não toleram ouvir
assuntos negativos, uma vez que atuam para diluir tais negatividades e
conduzirem os seres a renovação, uma vez que o próprio Oxumarê é o orixá de
todos os movimentos e de todos os ciclos. Ou seja, através da irradiação que
recebem de Pai Oxumarê, os Erês nos conduzem ao fim dos ciclos e ao início de
outros, em outras palavras, essa linha de trabalho pouco compreendida, nos
conduzem, através da sua vibração e energia, a nossa reforma íntima.
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| Irradiadores da energia de pai Oxumarê, os Erês
nos conduzem ao reencontro com nossa "criança interior"
Origem e atuação dos Erês
Origem dos Espíritos dessa linha
O
que pode-se dizer sobre a origem dos Espíritos que atuam nessa linha, é algo
bastante complexo, já que, como um todo, essa é a linha de trabalho mais
misteriosa que há. Basicamente eles teriam duas origens: 1) Espíritos que desencarnaram
ainda crianças, evoluíram no plano espiritual e optam por se apresentarem como
crianças e assim trabalharem; e 2) Espíritos encantados, ou seja, espíritos que
nunca encarnaram. São Espíritos que estão no plano encantado da evolução.
Sobre
os primeiros, como sabemos os Espíritos foram criados simples e ignorantes,
evoluindo através de múltiplas reencarnações. Sabemos igualmente que os
espíritos não possuem sexo nem idade, conforme o nosso entendimento. E
igualmente sabemos que a evolução do Espírito se dá tanto no mundo material,
quanto no mundo espiritual. Essa primeira “classe” de Erês, alguns desencarnaram
ainda muito pequenos e evoluíram no plano espiritual, onde adquiriram os
conhecimentos necessários para hoje, através de seus médiuns darem consultas e
prestarem a caridade. Vale ressaltar, que
tanto nesse caso, quanto no caso do encantados, eles não conservam os trejeitos
e gostos infantis por serem crianças, mas sim porque abraçaram o arquétipo infantil
da fragilidade, docilidade, ingenuidade e franqueza. Sobre a forma que eles
se apresentam, com aspecto infantil, é válido ressaltar que o Espírito
desencarnado assume a forma que bem entende, moldando seu períspirito (corpo
espiritual) da forma que achar melhor para que possa atuar no Bem.
Falando
agora da segunda “classe” de Erês, os encantados estes são espíritos que ainda
não passaram pelo processo encarnatório, mas estão evoluindo no plano encantado
da evolução. Estes sim são espíritos ainda infantis, regidos pelas mãe Orixás,
encantadas da natureza, em seus respectivos reinos da natureza, no seu lado
espiritual, onde amparados por essas mães Orixás eles crescem e se desenvolvem,
até alcançarem um novo estágio evolutivo, onde encarnarão. No estágio
encantado, as mães orixás dedicam-se a educação moral, consciencial e emocional
tais espíritos, dominando seus exageros e os conduzindo no caminho da evolução
para que encarnem¹.
Atuação
Como
comentado anteriormente os Erês são verdadeiros professores espirituais. Eles
não nos deixam esquecer que a vida pode (e deve) ser divertida e nos ajudam a
preservar nossos corações e mentes receptivos aos novos ciclos, ou seja, não
deixam a criança interior que há dentro de cada um de nós morrer.
Quando
manifestados dão seus atendimentos de forma simples e alegre, enquanto brincam
com brinquedos e comem e distribuem doces e guaraná. Geralmente incorporam
dando cambalhotas, pulando, rindo, correndo, e alguns chorando. Tal
comportamento é uma forma de movimentação energética, que permite o descarrego
energético dos médiuns e da assistência, ao mesmo tempo que enchem o ambiente de
alegria e descontração.
E
não devemos nos esquecer que as Crianças espirituais, também atuam na proteção
das crianças encarnadas, na identificação e desmanche de trabalhos de magia
negativa e também na cura de doenças, principal virtude dessa linha. Alguns
médiuns videntes, relatam verem tais espíritos nos hospitais auxiliando tanto
na cura dos encarnados, como no desenlace e encaminhamento dos
recém-desencarnados².
Conclusão
Aos
que desejam desfrutar da energia da Linha das Crianças, façam uma prece sincera
e verão os resultados. Aos que puderem, ofereçam a elas doces e guaraná, junto
com uma vela azul clara ou cor-de-rosa ou bicolor azul e rosa, e faça uma prece
sincera, e se permitam sentir a vibração dos Erês. Tais doces e refrigerante,
após a queima da vela, podem ser consumidos ou dados aos que necessitam, uma
vez que estarão cheios da energia de cura e renovação das Crianças.
Para
concluirmos esse sucinto e despretensioso estudo, lembramos que por trás dessa
energia infantil, há algo muito mais forte e profundo: a força de Deus e de
suas divindades, os Orixás. E também, por trás dessas Crianças, há a força que
nos conduz a não nos perdermos entre as provas da vida, deixando morrer a nossa
criança interior e nos conduzindo a nossa reforma íntima, lembrando sempre as
palavras do Mestre Jesus em seu Evangelho: “Eu
lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças,
vocês nunca entrarão no Reino do Céu. Quem se abaixa, e se torna como essa
criança, esse é o maior no Reino do Céu”. (Mateus 18:3,4. Edição Pastoral); e “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mateus
19: 14. Nova Versão Internacional. Grifo nosso.). Muita paz ao coração de
todos/as! Salve São Cosme e São Damião e toda a Linha das Crianças!!!
NOTAS:
¹ Para maiores informações sobre o
estágio encantado da evolução recomendamos que leiam o livro “A Evolução dos Espíritos”, de
autoria de Rubens Saraceni publicado pela Ed. Madras.
² Ver o livro “Espíritos entre nós”, de James Van
Praagh. Ed. Sextante. p. 55-56.
BIBLIOGRAFIA
LIVROS
SARACENI, Rubens. Os arquétipos da Umbanda: as hierarquias
espirituais dos Orixás. São Paulo: Madras, 2014.
SITES
http://www.nuss.com.br/guias-e-protetores/linha-das-criancas.html
Acesso em: 25 ago. 2015
http://www.genuinaumbanda.com.br/temas_variados/a_linha_das_criancas_na_umbanda.htm
Acesso em: 25 ago. 2015
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/sao-cosme-damiao-435214.shtml
Acesso em: 25 ago. 2015
http://www.seteporteiras.org.br/index.php/tradicao/osorixas/oxumare
Acesso em: 14 fev. 2015
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