sábado, 13 de junho de 2015

Uma introdução ao Evangelho segundo João


Olá irmãos e irmãs! Muita paz ao coração de tod@s! É com muita alegria que o blog “Caminho Espiritual” retorna as suas atividades de estudo e caridade. Bem amig@s, e o nosso blog retorna suas atividades, como havíamos citado no último post, lançando uma série de estudos intitulada “Comentários espiritualistas do Evangelho de João”. Como o próprio título sugere é uma série de comentários sobre o Evangelho escrito pelo apóstolo João, o discípulo amado. A diferença é que os comentários que vamos tecer, de cada capítulo e versículo, é um comentário livre de sectarismos religiosos e que objetiva somente trazer a essência do Evangelho para nossas vidas diárias. Nós comungamos a ideia que se lêssemos o Evangelho como Jesus nos ensinou, em espírito e verdade (João 4:23), entendo que essa é a maneira que o Pai maior quer, a humanidade terrestre se encontraria de outra maneira, se encontraria em um nível evolutivo mais elevado. No entanto nós ainda nos prendemos a letra que mata, aos sectarismos que matam, e nos esquecemos do espírito, da essência que dá vida ( II Coríntios 3:6). E o nosso intuito é esse, ler e meditar no Evangelho, nos prendendo a sua essência e mensagem central: o amor irrestrito.
No entanto, antes de iniciarmos nossos estudos, acreditamos que seja pertinente fazermos algumas considerações sobre o Evangelho escrito pelo apóstolo João, para que não entremos nesse estudo sem termos alguns conhecimentos indispensáveis a respeito desse evangelho.

UM EVANGELHO INCONFUNDÍVEL
Temas significativos dos evangelhos sinópticos¹ - Mateus, Marcos e Lucas - não aparecem aqui: a infância de Jesus e as tentações, o Sermão do Monte, o ensino em parábolas, as desobsessões feitas pelo Cristo, a transfiguração, a última Ceia… Em contrapartida, somente o evangelista João relata as metáforas do bom pastor, da porta, do grão de trigo e da videira, o discurso do pão da vida, o da ceia e a oração sacerdotal, os episódios das bodas de Caná, da ressurreição de Lázaro e do lava-pés, os diálogos com Nicodemos e com a samaritana. Diferente dos demais evangelhos, no relato de joão o ministério de Jesus se passa na Judeia e em Jerusalém.
O vocabulário é modesto, todavia muito expressivo, de forte poder evocativo e profundo simbolismo, com muitas palavras-chave: verdade, luz, vida, amor, glória, mundo, julgamento, hora, testemunho, água, espírito, amar, conhecer, ver, ouvir, testemunhar, manifestar, dar, fazer, julgar... Mas o que torna inconfundível o evangelho de João são os seus discursos. Nos sinópticos, estes são pequenas unidades literárias sistematizadas; aqui, longas unidades com um único tema. 

AUTORIA E COMPOSIÇÃO
Não obstante a evidente unidade que este evangelho apresenta e o seu fio condutor, percebem-se algumas pequenas irregularidades. A mais inusitada é uma dupla conclusão (João 20:30-31; 21:24-25); o capítulo 16 parece uma repetição do 14. Isto leva a pensar que a obra não foi redigida de uma só vez. A análise interna deixa ver que o autor era judeu e que conviveu com Jesus. O fato de o apóstolo João ter sido um pescador, analfabeto, não constitui problema para a autoria joanina; era costume não ser o próprio autor a escrever a sua obra. Há também a probabilidade que um grupo de discípulos interviesse na redação, sob a orientação e autoridade direta de João; daí a primeira pessoa do plural (nós) que por vezes aparece (Ver João 3:11; 21:24). Foi o último Evangelho a ser publicado, entre o ano 90 e 100. Não pode ser uma obra tardia do século II, como pensava a crítica liberal do século XX; a sua utilização por Inácio de Antioquia, martirizado em 107, e a publicação em 1935 do papiro de Rylands, datado de cerca do ano 120, desautorizou tal pensamento.

VALOR HISTÓRICO
Ao chamar de “sinais” os atos admiráveis de Jesus (os “milagres”) João indica que se trata de eventos expressivos e não de fatos comuns ou símbolos. O próprio Jesus se proclama testemunha da verdade (João 18:37) e o texto apoia-se numa testemunha ocular. É um testemunho que não se limita a simples acontecimentos históricos, pois tem como sua finalidade fé na pessoa e na obra de Jesus; mas deriva de acontecimentos vistos por essa testemunha (Ver João 19:35; 20:8; 21:24). Ao incluir alguns termos aramaicos e uma sintaxe² judaica, mostra que é um escrito ligado à primitiva tradição oral palestinense. Sob outra perspectiva, os muitos detalhes relativos às instituições judaicas, à cronologia e geografia, provam a precisão da informação, de quando em quando confirmada por descobertas arqueológicas. Sem as informações de João, não se poderiam entender acertadamente os elementos dos evangelhos sinópticos.
Se fosse apenas uma obra teológica, o autor não teria o cuidado constante de unir seu relato às condições reais da vida de Jesus. Uma comprovação do seu valor histórico: quando não possui dados certos, não inventa. Assim, no período anterior à encarnação de Jesus no planeta Terra, fala da preexistência do Verbo, mas nada diz da sua vida no mundo espiritual, como seria de esperar.

CONCLUSÃO
Munidos desses dados sobre o evangelho escrito por João, nós nos sentimos preparados para iniciarmos este despretensioso estudo da mensagem de Jesus relatada sob a ótica do apóstolo amado. Esperamos que todos possam tirar todo o proveito possível desse estudo. As dúvidas que surgirem poderão ser encaminhadas para caminho.espiritual@yahoo.com.br e teremos satisfação de respondê-las. Lembrando que os estudos serão publicados todos os sábados a partir das 12:00 hrs (Hor. de Brasília). Que Jesus nos abençoe e guarde nossos corações e mentes com sua divina Paz! Até o próximo sábado.

NOTAS:


¹ Os Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas recebem esse nome devido a uma vasta quantidade  de histórias em comum, na mesma sequência, e algumas vezes, utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras. Tal grau de paralelismo relativo ao conteúdo, narrativa, linguagem e estruturas das frases, somente pode ocorrer em uma literatura interdependente. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_sin%C3%B3pticos Acesso em: 11 jun. 2015.

² Parte da gramática que trata das funções das palavras na frase e das relações entre si. Disponível em: http://www.dicio.com.br/sintaxe/  Acesso em: 11 jun. 2015


BIBLIOGRAFIA: