domingo, 15 de novembro de 2015

107 anos depois: considerações sobre a Umbanda na atualidade



Há 107 anos, manifestava-se o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, através do médium Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975) e fundava uma nova religião. Religião essa, que posteriormente seria tida no discurso acadêmico, discurso esse, que um pouco mais tarde, seria apropriado como discurso nativo, como a única religião genuinamente brasileira. Essa nova religião integrou em seu corpo teológico e litúrgico aspectos do catolicismo popular, do espiritismo, das tradições religiosas africanas e das tradições religiosas indígenas.  Fundada na noite de 16 de novembro de 1908, a Tenda Espírita N. Srª. da Piedade, é tida como a “casa máter” da Umbanda, uma vez que foi o primeiro terreiro de Umbanda fundado. Definida por seu fundador espiritual - Zélio de Moraes nunca tomou para si o título de “fundador” da religião, mas apenas um aparelho para que o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciasse e fundasse a religião – “como a manifestação do Espírito para a caridade”, a Umbanda da atualidade é extremamente plural. Como toda religião em expansão, seu início foi marcado por embates que levaram a divisões. Por orientação do próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas, em 1918, a partir da Tenda Espírita N. Srª. da Piedade, outras casas de Umbanda foram fundadas, e nestas seus dirigentes e suas entidades imprimiram na prática religiosa ali realizada características próprias. Dessa efervescência, surgiu o que chamamos de “vertentes da umbanda”: Umbanda Branca, Umbanda Mirim, Umbanda Tradicional, Umbanda Kardecista, Umbanda Sagrada, Umbanda Esotérica, Umbanda Omolocô, Umbanda Trançada (ou Umbandomblé), entre uma infinidade de outras vertentes. Algumas mais próximas dos parâmetros da casa máter de Umbanda, outras do parâmetro espírita, outras mais próximas do parâmetro africano e ainda outras onde parâmetros tradicionais, espíritas e africanistas imiscuem-se criando Umbandas com características muito próprias e diversas, muitas vezes esquecendo alguns princípios importantes estabelecidos pelo Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas. Dessa maneira, e diante a esse cenário tão diverso, o que pode ser dito sobre as Umbandas que vemos na atualidade? O que isso nos revela sobre a religião? Permanece até os nossos dias o legado do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas e o Zélio de Moraes?

Após 107 anos, qual o legado do Caboclo das Sete Encruzilhadas?
“Umbanda é religião, portanto só pode fazer o bem”. Essa frase de autoria do sacerdote umbandista paulista Alexandre Cumino, talvez seja uma das melhores sínteses do legado que o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas legou as gerações posteriores da Umbanda. Como supracitado, o próprio Caboclo, por ocasião da fundação da Umbanda, a definiu como “manifestação do Espírito para caridade”. Lamentavelmente, nos dias atuais, temos visto locais, que tomam para si o nome de umbanda, e praticam toda sorte de magia negativa em suas reuniões. Como é sabido de todos, desde o seu início e sobretudo nos dias atuais a Umbanda (e as manifestações afro-religiosas) são vítimas de preconceito, intolerância religiosa, violência e violações por parte de alguns segmentos religiosos, que vem crescendo no Brasil e buscam impor, seus padrões e princípios aos “pecadores” e “infiéis”. Infelizmente, o que se vê no Brasil são determinados grupos religiosos, que já foram inclusive perseguidos como hoje perseguem, querendo ressuscitar a sombria “santa” Inquisição e nas suas fogueiras queimar todos aqueles que não seguem suas normas, padrões e doutrinas, sobretudo os afro-religiosos e os LGBTs. Tais locais, que se dizem umbandistas, sem logicamente serem, só dão lenha para que tais grupos religiosos acendam suas fogueiras e vociferem acusações contra a nossa querida Umbanda. No entanto, não devemos nos esquecer, que Deus retribuirá a cada indivíduo de acordo com os seus procedimentos. E dentro das leis espirituais, especialmente a Lei de Causa e Efeito, sabemos que estes que praticam tais atos tem gerado para si mesmos e para aqueles que o seguem pesada dívida espiritual, que senão já nesta vida, no Mundo Espiritual e nas próximas encarnações lhe trarão pesadas consequências. Afinal, como ensinou Nosso Senhor Jesus Cristo no Sermão da Montanha ninguém deixará os ciclos de reencarnações em mundo menos evoluídos até que haja pagado o último centavo de sua dívida espiritual (Mateus 5:26). Logo o primeiro legado do Caboclo das Sete Encruzilhadas a Umbanda, independente da vertente que se é praticada, é a prática da Caridade como razão da Umbanda. Caridade esta, que não deve ser cobrada (Mateus 10:8. Ver o capítulo 26 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, intitulado “Dai de graça o que de graça recebestes”).
O segundo legado do fundador espiritual da Umbanda é a humildade que deve permear a prática, material e espiritual, da Umbanda, independente da vertente que seja praticada. Por definição do próprio Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas a Umbanda é uma “(...) religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados (...)”. Infelizmente a humildade tem sido outro ponto esquecido em muitos terreiros, onde as disputas de ego, tem ganhado voz. E nessa disputa de ego, a Caridade sai de cena, e junto dela a humildade, deixando ali somente o egoísmo e a vaidade. A humildade que aqui falamos engloba 1) não rejeitar nenhum espírito que queira se comunicar, aprendendo com os mais evoluídos e ensinando os mais atrasados, como ensinou o fundador espiritual da Umbanda e 2) a humildade que deve reinar nos templos de umbanda e na posturas dos médiuns. A Umbanda não necessita de luxos e extravagâncias. Por isso mesmo, o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, determinou que todos aqueles que adentrassem a lide umbandista, deveriam se vestir de branco durante os trabalhos, mostrando assim a igualdade de todos diante Deus e os Sagrados Orixás.  O que vemos é que as casas mais humildes, são as mais comprometidas com a Caridade e a elevação espiritual, realizando belíssimos trabalhos.
E o terceiro legado do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas à Umbanda, e que a caracteriza, é não se praticar sacrifício animal no ritual umbandista. Esse talvez seja o ponto mais delicado de se abordar. Se formos fazer um traçado das aproximações rituais da Umbanda por região, veremos que no Norte e Nordeste predomina nas umbandas uma forte apropriação dos rituais das religiões indígenas, da pajelança e do catolicismo popular. Na região Sudeste, predominantemente vemos a apropriação de princípios ritualísticos e doutrinários espíritas e afro-religiosos. E nas regiões Sul e Centro-Oeste, existe um profundo hibridismo do que se é observado nas demais regiões. E dentro de cada estado que compõe essas regiões, vemos as umbandas com características muito próprias. Tomemos por exemplo a região Sudeste. No estado de São Paulo, sobretudo na capital, predomina nas umbandas a influência do Espiritismo, e para além dessa influência também a influência da obra de Rubens Saraceni. Já em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o que se observa são umbandas mais próximas da afro-religiosidade, notadamente do Candomblé. Onde é comum nesses estados, coexistirem nos terreiros Umbanda e Candomblé, onde a Umbanda, por sua fluidez, absorve muitos traços do Candomblé, como o sacrifício animal.
Entendemos que a Umbanda não pratica o sacrifício animal pois sendo a manifestação do Espírito para a Caridade, não pode haver caridade com a morte de nossos irmãos menores que também estão evoluindo. No entanto, entendemos também que devemos reconhecer e respeitar, as umbandas e suas práticas ritualísticas. Não estamos aqui para julgar a prática de quem quer que seja definindo o que é e o que não é Umbanda, uma vez que o princípio de praticar a caridade seja guardado, e naquele local não seja praticado nada que denigra o ser humano, num contexto geral, acreditamos que ali seja um bom lugar, relembrando sempre que o julgamento se reservará ao Pai Maior e aos Divinos Orixás, que retribuirão cada um de acordo com aquilo que fizeram dos conhecimentos que receberam. Como me ensinou uma querida Preta-Velha: Você é a espada de Ogum? Você é a machada de Xangô? Você é a flecha de Oxóssi? Você é o raio de Yansã? Você é as mãos abençoadas de Yemanjá? Você é o coração de Maria? Então por que julgas o teu irmão?”. Devemos considerar também, uma determinada hipocrisia quando o assunto é sacrifício animal. Uma vez que ninguém é contra matar um animal, para se comer no churrasco de domingo, regado a cerveja e balbúrdia, no entanto, quando se trata de um ofício sagrado (sacrifício = sacro, sagrado + ofício) a morte de um animal é visto como algo indecoroso e cruel. Mas qual a diferença do animal morto para se comer no domingo para o animal que se sacrifica para um Orixá no Candomblé ou para alguma entidade nas Umbandas que tem o sacrifício como uma de suas práticas, e que depois será igualmente consumido pela comunidade religiosa? Em nosso entendimento, no contexto umbandista o sacrifício animal é algo desnecessário e a sua não prática é um dos legados do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos cabendo, no entanto, respeitar e não julgar as casas de Umbanda que o pratiquem. Lembrando sempre, que a religião, seja ela qual for, é formada por seres humanos, em diferentes níveis de evolução, e com diferentes experiências religiosas e diferentes percepções de vida e de certo e errado.

107 anos levando “humildade, amor e Caridade” ao mundo!
Passados 107 anos que Zélio de Moraes anunciou a Umbanda e que o Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas a fundou, vemos que as palavras do fundador espiritual da Umbanda são ainda seu principal legado e características da Umbanda: “Umbanda é humidade, amor e Caridade”. Independente da vertente e das práticas peculiares de cada templo de Umbanda, vemos que a essa religião, genuinamente brasileira, vem a mais de um século sendo o lenitivo de corpos e corações torturados. Vemos que essa jovem religião, tem cumprido a sua missão. Como disse o Caboclo Mirim, através de seu médium Benjamim Figueiredo, “a Umbanda é a escola da Vida”. E é ainda o Caboclo Mirim, quem nos faz voltar as instruções do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos dizendo que “A Umbanda é coisa séria, para gente séria”.
Após os 107 anos da primeira manifestação do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, vemos na atualidade uma pluralidade de umbandas, muitas com práticas e conceitos muito particulares e uma Umbanda, marcada pelo hibridismo, mais do que em seu começo. Isso nos revela que a Umbanda, ao longo de mais de um século, é uma religião que apesar de ter princípios definidos, é uma religião aberta, e que agrega em seu seio aquilo que seus praticantes e mentores reconhecem como bom ou necessário.
Humildade, amor, Caridade, seriedade e estudo (Sim, estudo!) são características que não devem faltar a nossa Umbanda, independente da vertente que seja praticada, e características que jamais devem faltar aos médiuns da seara umbandista. Nós não podemos nos esquecer de nossas bases, de nossa ancestralidade. Portanto, devemos sempre voltar ao exemplo de Zélio Fernandino de Moraes, para desenvolvermos um trabalho a altura da proposta umbandista, e não nos esquecermos jamais, das palavras, instruções e diretrizes do Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas, para que jamais nos desviemos da senda estreita, e que muitas vezes nos pede sacrifícios de nós mesmos (Mateus 7:14), da Caridade. Saravá a nossa querida Umbanda! Saravá a estes 107 anos de “humildade, amor e Caridade”!


BIBLIOGRAFIA

http://www.juntosnocandomble.com.br/2013/01/umbanda-e-sua-historia-completa.html

domingo, 27 de setembro de 2015

Conversando sobre a Linha das Crianças


♫♫♫ Tem bala de coco e peteca, deixa a Ibeijada brincar!
Hoje é dia de festa, Ibeijada vem saravá! ♫♫♫

            Introdução
Mesmo quem cresceu em grandes cidades sabe que o mês de setembro, é dedicado aos santos católicos Cosme e Damião e conhecem a tradição de entregar doces em seu dia comemorativo. Com o surgimento da Umbanda, no ano de 1908, a veneração a São Cosme e São Damião adentrou a nova religião, muito pela influência do catolicismo popular e também pela influência africana, onde os orixás gêmeos Ibeji foram sincretizados com os santos católicos. Alegria, risadas, doces... Tudo isso é o que se vê em uma sessão onde incorporam os espíritos da Linha das Crianças, também conhecido como Erês. Qual é a função dessa linha? Qual a origem dos Espíritos que trabalham nela e como atuam? Essas perguntas nortearão nosso despretensioso estudo.

São Cosme e São Damião e a Linha das Crianças

São Cosme e São Damião não cobravam por seus atendimentos e recusavam qualquer forma de pagamento, exercendo a medicina por amor ao próximo.
Cosme e Damião, santificados pelo povo e depois reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica, nasceram na região da Arábia, no século III. Desde jovens, a vocação para medicina dos irmãos era notável e quando se converteram a fé cristã, passaram a disseminar a religião através dos seus atendimentos médicos. Eles conheceram a medicina através da Levi, conhecido como santo e curandeiro pela comunidade local. Com sua experiência Levi os ensinou a prática médica, os ajudando a atender os necessitados. Cosme e Damião não cobravam por seus atendimentos e recusavam qualquer forma de pagamento que lhes oferecessem, exercendo a profissão por amor ao próximo, essa foi uma forma eficaz de espalharem o Cristianismo. O desenlace (morte) dos gêmeos é cercada de lendas, no entanto, historicamente sabe-se que com a perseguição promovida por Diocleciano, no ano 300, eles foram proibidos de exercer a medicina e logo depois presos, sob a acusação de inimigos dos deuses do panteão romano. Depois de algum tempo de martírio, eles foram decapitados, tornando-se assim mártires cristãos e sendo considerados os primeiros santos médicos da Igreja. A devoção aos santos chegou ao Brasil no ano de 1535, com a construção da primeira igreja católica do Brasil, na cidade pernambucana de Igarassu que foi dedicada a eles.
São Cosme e São Damião, foram sincretizados com Ibeji, orixás gêmeos, símbolos da inocência e pureza infantis, que transmitem amor e alegria a seus médiuns quando incorporados. Pelo fato do sincretismo aliado ao amor pela prática da caridade manifestado na vida dos santos, na Umbanda eles se tornaram os patronos da Linha das Crianças. 

  Oxumarê e a Linha das Crianças

Oxumarê, trono masculino do amor, orixá de todos os movimentos e ciclos, é o regente da Linha das Crianças.
A Linha das Crianças, é sustentada energeticamente, ou seja, é regida por pai Oxumarê, trono masculino do Amor. Mas por que essa linha é regida por esse pai orixá? Bem, os Erês simbolizam a ingenuidade e pureza das crianças, e a capacidade destas de mudarem, com rapidez, seus sentimentos. Quem nunca viu um adulto ralhar com uma criança e minutos depois ela estar junto dele o abraçando? As crianças são verdadeiros professores espirituais! Pai Oxumarê por sua vez, como divindade assentada no pólo negativo do Amor, atua absorvendo, diluindo e corrigindo os excessos e desequilíbrios no campo dos sentimentos, e simultaneamente, irradia energias de renovação. Oxumarê atua com os fatores diluidor e renovador, pois sua energia movimenta-se mediante uma onda dupla, onde uma onda age diluindo as negatividades dos seres, ao mesmo tempo que a outra onda vai renovando-os. Dessa forma, esse orixá rege a Linha dos Erês, pois a criança simboliza o renascimento, a renovação da vida, a inocência, a alegria e etc., ou seja, Oxumarê rege essa linha de trabalho justamente pelo fato dela nos conduzir a reassumirmos a nossa “criança interior”.
É por serem sustentados por Oxumarê que costuma-se dizer que os Erês não toleram ouvir assuntos negativos, uma vez que atuam para diluir tais negatividades e conduzirem os seres a renovação, uma vez que o próprio Oxumarê é o orixá de todos os movimentos e de todos os ciclos. Ou seja, através da irradiação que recebem de Pai Oxumarê, os Erês nos conduzem ao fim dos ciclos e ao início de outros, em outras palavras, essa linha de trabalho pouco compreendida, nos conduzem, através da sua vibração e energia, a nossa reforma íntima.

Irradiadores da energia de pai Oxumarê, os Erês nos conduzem ao reencontro com nossa "criança interior"

                              Origem e atuação dos Erês

               Origem dos Espíritos dessa linha

O que pode-se dizer sobre a origem dos Espíritos que atuam nessa linha, é algo bastante complexo, já que, como um todo, essa é a linha de trabalho mais misteriosa que há. Basicamente eles teriam duas origens: 1) Espíritos que desencarnaram ainda crianças, evoluíram no plano espiritual e optam por se apresentarem como crianças e assim trabalharem; e 2) Espíritos encantados, ou seja, espíritos que nunca encarnaram. São Espíritos que estão no plano encantado da evolução.
Sobre os primeiros, como sabemos os Espíritos foram criados simples e ignorantes, evoluindo através de múltiplas reencarnações. Sabemos igualmente que os espíritos não possuem sexo nem idade, conforme o nosso entendimento. E igualmente sabemos que a evolução do Espírito se dá tanto no mundo material, quanto no mundo espiritual. Essa primeira “classe” de Erês, alguns desencarnaram ainda muito pequenos e evoluíram no plano espiritual, onde adquiriram os conhecimentos necessários para hoje, através de seus médiuns darem consultas e prestarem a caridade. Vale ressaltar, que tanto nesse caso, quanto no caso do encantados, eles não conservam os trejeitos e gostos infantis por serem crianças, mas sim porque abraçaram o arquétipo infantil da fragilidade, docilidade, ingenuidade e franqueza. Sobre a forma que eles se apresentam, com aspecto infantil, é válido ressaltar que o Espírito desencarnado assume a forma que bem entende, moldando seu períspirito (corpo espiritual) da forma que achar melhor para que possa atuar no Bem.
Falando agora da segunda “classe” de Erês, os encantados estes são espíritos que ainda não passaram pelo processo encarnatório, mas estão evoluindo no plano encantado da evolução. Estes sim são espíritos ainda infantis, regidos pelas mãe Orixás, encantadas da natureza, em seus respectivos reinos da natureza, no seu lado espiritual, onde amparados por essas mães Orixás eles crescem e se desenvolvem, até alcançarem um novo estágio evolutivo, onde encarnarão. No estágio encantado, as mães orixás dedicam-se a educação moral, consciencial e emocional tais espíritos, dominando seus exageros e os conduzindo no caminho da evolução para que encarnem¹.

Atuação
Como comentado anteriormente os Erês são verdadeiros professores espirituais. Eles não nos deixam esquecer que a vida pode (e deve) ser divertida e nos ajudam a preservar nossos corações e mentes receptivos aos novos ciclos, ou seja, não deixam a criança interior que há dentro de cada um de nós morrer.
Quando manifestados dão seus atendimentos de forma simples e alegre, enquanto brincam com brinquedos e comem e distribuem doces e guaraná. Geralmente incorporam dando cambalhotas, pulando, rindo, correndo, e alguns chorando. Tal comportamento é uma forma de movimentação energética, que permite o descarrego energético dos médiuns e da assistência, ao mesmo tempo que enchem o ambiente de alegria e descontração.
E não devemos nos esquecer que as Crianças espirituais, também atuam na proteção das crianças encarnadas, na identificação e desmanche de trabalhos de magia negativa e também na cura de doenças, principal virtude dessa linha. Alguns médiuns videntes, relatam verem tais espíritos nos hospitais auxiliando tanto na cura dos encarnados, como no desenlace e encaminhamento dos recém-desencarnados².

Conclusão
Aos que desejam desfrutar da energia da Linha das Crianças, façam uma prece sincera e verão os resultados. Aos que puderem, ofereçam a elas doces e guaraná, junto com uma vela azul clara ou cor-de-rosa ou bicolor azul e rosa, e faça uma prece sincera, e se permitam sentir a vibração dos Erês. Tais doces e refrigerante, após a queima da vela, podem ser consumidos ou dados aos que necessitam, uma vez que estarão cheios da energia de cura e renovação das Crianças.
Para concluirmos esse sucinto e despretensioso estudo, lembramos que por trás dessa energia infantil, há algo muito mais forte e profundo: a força de Deus e de suas divindades, os Orixás. E também, por trás dessas Crianças, há a força que nos conduz a não nos perdermos entre as provas da vida, deixando morrer a nossa criança interior e nos conduzindo a nossa reforma íntima, lembrando sempre as palavras do Mestre Jesus em seu Evangelho: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. Quem se abaixa, e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu”. (Mateus 18:3,4. Edição Pastoral); e “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mateus 19: 14. Nova Versão Internacional. Grifo nosso.). Muita paz ao coração de todos/as! Salve São Cosme e São Damião e toda a Linha das Crianças!!! 


NOTAS: 

¹ Para maiores informações sobre o estágio encantado da evolução recomendamos que leiam o livro “A Evolução dos Espíritos”, de autoria de Rubens Saraceni publicado pela Ed. Madras.


² Ver o livro “Espíritos entre nós”, de James Van Praagh. Ed. Sextante. p. 55-56.


BIBLIOGRAFIA

LIVROS
SARACENI, Rubens. Os arquétipos da Umbanda: as hierarquias espirituais dos Orixás. São Paulo: Madras, 2014.

SITES
http://www.seteporteiras.org.br/index.php/tradicao/os­orixas/oxumare Acesso em: 14 fev. 2015







sábado, 13 de junho de 2015

Uma introdução ao Evangelho segundo João


Olá irmãos e irmãs! Muita paz ao coração de tod@s! É com muita alegria que o blog “Caminho Espiritual” retorna as suas atividades de estudo e caridade. Bem amig@s, e o nosso blog retorna suas atividades, como havíamos citado no último post, lançando uma série de estudos intitulada “Comentários espiritualistas do Evangelho de João”. Como o próprio título sugere é uma série de comentários sobre o Evangelho escrito pelo apóstolo João, o discípulo amado. A diferença é que os comentários que vamos tecer, de cada capítulo e versículo, é um comentário livre de sectarismos religiosos e que objetiva somente trazer a essência do Evangelho para nossas vidas diárias. Nós comungamos a ideia que se lêssemos o Evangelho como Jesus nos ensinou, em espírito e verdade (João 4:23), entendo que essa é a maneira que o Pai maior quer, a humanidade terrestre se encontraria de outra maneira, se encontraria em um nível evolutivo mais elevado. No entanto nós ainda nos prendemos a letra que mata, aos sectarismos que matam, e nos esquecemos do espírito, da essência que dá vida ( II Coríntios 3:6). E o nosso intuito é esse, ler e meditar no Evangelho, nos prendendo a sua essência e mensagem central: o amor irrestrito.
No entanto, antes de iniciarmos nossos estudos, acreditamos que seja pertinente fazermos algumas considerações sobre o Evangelho escrito pelo apóstolo João, para que não entremos nesse estudo sem termos alguns conhecimentos indispensáveis a respeito desse evangelho.

UM EVANGELHO INCONFUNDÍVEL
Temas significativos dos evangelhos sinópticos¹ - Mateus, Marcos e Lucas - não aparecem aqui: a infância de Jesus e as tentações, o Sermão do Monte, o ensino em parábolas, as desobsessões feitas pelo Cristo, a transfiguração, a última Ceia… Em contrapartida, somente o evangelista João relata as metáforas do bom pastor, da porta, do grão de trigo e da videira, o discurso do pão da vida, o da ceia e a oração sacerdotal, os episódios das bodas de Caná, da ressurreição de Lázaro e do lava-pés, os diálogos com Nicodemos e com a samaritana. Diferente dos demais evangelhos, no relato de joão o ministério de Jesus se passa na Judeia e em Jerusalém.
O vocabulário é modesto, todavia muito expressivo, de forte poder evocativo e profundo simbolismo, com muitas palavras-chave: verdade, luz, vida, amor, glória, mundo, julgamento, hora, testemunho, água, espírito, amar, conhecer, ver, ouvir, testemunhar, manifestar, dar, fazer, julgar... Mas o que torna inconfundível o evangelho de João são os seus discursos. Nos sinópticos, estes são pequenas unidades literárias sistematizadas; aqui, longas unidades com um único tema. 

AUTORIA E COMPOSIÇÃO
Não obstante a evidente unidade que este evangelho apresenta e o seu fio condutor, percebem-se algumas pequenas irregularidades. A mais inusitada é uma dupla conclusão (João 20:30-31; 21:24-25); o capítulo 16 parece uma repetição do 14. Isto leva a pensar que a obra não foi redigida de uma só vez. A análise interna deixa ver que o autor era judeu e que conviveu com Jesus. O fato de o apóstolo João ter sido um pescador, analfabeto, não constitui problema para a autoria joanina; era costume não ser o próprio autor a escrever a sua obra. Há também a probabilidade que um grupo de discípulos interviesse na redação, sob a orientação e autoridade direta de João; daí a primeira pessoa do plural (nós) que por vezes aparece (Ver João 3:11; 21:24). Foi o último Evangelho a ser publicado, entre o ano 90 e 100. Não pode ser uma obra tardia do século II, como pensava a crítica liberal do século XX; a sua utilização por Inácio de Antioquia, martirizado em 107, e a publicação em 1935 do papiro de Rylands, datado de cerca do ano 120, desautorizou tal pensamento.

VALOR HISTÓRICO
Ao chamar de “sinais” os atos admiráveis de Jesus (os “milagres”) João indica que se trata de eventos expressivos e não de fatos comuns ou símbolos. O próprio Jesus se proclama testemunha da verdade (João 18:37) e o texto apoia-se numa testemunha ocular. É um testemunho que não se limita a simples acontecimentos históricos, pois tem como sua finalidade fé na pessoa e na obra de Jesus; mas deriva de acontecimentos vistos por essa testemunha (Ver João 19:35; 20:8; 21:24). Ao incluir alguns termos aramaicos e uma sintaxe² judaica, mostra que é um escrito ligado à primitiva tradição oral palestinense. Sob outra perspectiva, os muitos detalhes relativos às instituições judaicas, à cronologia e geografia, provam a precisão da informação, de quando em quando confirmada por descobertas arqueológicas. Sem as informações de João, não se poderiam entender acertadamente os elementos dos evangelhos sinópticos.
Se fosse apenas uma obra teológica, o autor não teria o cuidado constante de unir seu relato às condições reais da vida de Jesus. Uma comprovação do seu valor histórico: quando não possui dados certos, não inventa. Assim, no período anterior à encarnação de Jesus no planeta Terra, fala da preexistência do Verbo, mas nada diz da sua vida no mundo espiritual, como seria de esperar.

CONCLUSÃO
Munidos desses dados sobre o evangelho escrito por João, nós nos sentimos preparados para iniciarmos este despretensioso estudo da mensagem de Jesus relatada sob a ótica do apóstolo amado. Esperamos que todos possam tirar todo o proveito possível desse estudo. As dúvidas que surgirem poderão ser encaminhadas para caminho.espiritual@yahoo.com.br e teremos satisfação de respondê-las. Lembrando que os estudos serão publicados todos os sábados a partir das 12:00 hrs (Hor. de Brasília). Que Jesus nos abençoe e guarde nossos corações e mentes com sua divina Paz! Até o próximo sábado.

NOTAS:


¹ Os Evangelhos segundo Mateus, Marcos e Lucas recebem esse nome devido a uma vasta quantidade  de histórias em comum, na mesma sequência, e algumas vezes, utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras. Tal grau de paralelismo relativo ao conteúdo, narrativa, linguagem e estruturas das frases, somente pode ocorrer em uma literatura interdependente. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_sin%C3%B3pticos Acesso em: 11 jun. 2015.

² Parte da gramática que trata das funções das palavras na frase e das relações entre si. Disponível em: http://www.dicio.com.br/sintaxe/  Acesso em: 11 jun. 2015


BIBLIOGRAFIA:





quinta-feira, 14 de maio de 2015

Em breve novidades em nosso blog!!! Aguardem!!!



Pessoal boa noite!!! Já faz algum tempo que não fazemos nenhuma postagem aqui no blog. Mas isso se deve a estarmos trabalhando na construção do blog, onde traremos postagens semanais com estudos e vídeos. No início de junho já estaremos iniciando esses novos projetos. 
No entanto, os trabalhos de atendimento fraterno e vibrações (ambos a distância) continuam. Basta enviarem um e-mail para caminho.espiritual@yahoo.com.br e no prazo de três (3) dias estaremos entrando em contato e iniciando as preces e vibrações.
Divulguem nosso blog! Muita luz a todos!!!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Atendimento fraterno on-line


Prezados amigos e amigas! Nosso blog, está caminhando e estamos expandindo nossos serviços de auxílio ao próximo. Visto que nós ainda não possuímos uma sede física, estamos iniciando um trabalho de atendimento fraterno on-line.
Aqueles irmãos e irmãs, que estiverem necessitados de auxílio e orientação, bem como de preces e vibrações, devem entrar em contato conosco pelo e-mail caminho.espiritual@yahoo.com.br que num prazo máximo de três (3) dias estaremos entrando em contato e iniciando as preces e vibrações.

Que Deus e seus sagrados mistérios, Jesus e os bons Espíritos nos iluminem hoje e sempre. Esperamos o contato de vocês! Uma abraço fraterno, Equipe Caminho Espiritual.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Por que estão deixando as "flores" morrer? - Uma reflexão sobre a exclusão no meio espírita e um convite ao estudo


Tem-se verificado, em muitas instituições espíritas do Brasil, algo seriamente preocupante: a exclusão de pessoas. Sim, a exclusão dos mais diversos tipos de espíritos (encarnados, mas também de desencarnados). As portas do trabalho no Bem têm sido fechadas para irmãos e irmãs homossexuais, divorciados, pra aqueles, que por um ou vários motivos alheios aos nossos conhecimentos, se evolveram ou simplesmente nutrem sentimentos por pessoas casadas, e por aí vai uma série de outras pessoas que são marginalizadas pelas instituições espíritas, a pretexto de que são irmãos em desequilíbrio, necessitando de tratamento espiritual. O que nós vemos e que os centros espíritas estão se transformando em instituições dogmáticas e legalistas. Mas será que é esse o espírito do Cristo? Será que os trabalhadores da seara do Bem tem que ser escolhidos por detalhes de suas vidas/personalidades, que não nos desrespeitam?
“A colheita é grande, mas poucos os operários! Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários para a sua colheita” (Mateus 9:37,38. Bíblia de Jerusalém). Esse é um dos mais importantes convites do Cristo. Como sabemos, a seara Divina está sempre precisando de novos operários. Afinal, “os campos já estão brancos para colheita” (João 4:35, BJ). No período que vive nosso planeta – a transição planetária – mais e mais irmãos têm afluído às casas espíritas, muitos a procura de socorro (que depois, poderão se juntar aos operários do Cristo), outros vem para trabalhar e se doar no trabalho no Bem e outros ainda, se achegam de nossas instituições devido a compromissos reencarnatórios, de auxílio e estudo, assumidos ao reencarnarem. Diante disso deveríamos fechar as portas do trabalho para estes irmãos? Como lemos no livro Nosso Lar, quando o trabalhador está pronto o serviço aparece para ele. Deveríamos nós impedi-lo de trabalhar?
Acredito que vem faltando a muitos espíritas, refletirem um pouco sobre as atitudes de Jesus. O Mestre estava sempre ao lado de toda sorte de gente (Marcos 2:15). Eram os cobradores de impostos, as mulheres, as crianças, os leprosos, as prostitutas. Em suma, o Mestre sempre estava com todos aqueles que eram marginalizados pela sociedade e pelo sistema religioso da época. Entre os seus discípulos estava um cobrador de impostos, Levi (Marcos 2:13,14). Jesus não desprezou ninguém! Todos que queriam ouvi-lo e disseminar a Boa Nova eram por ele aceitos. E Jesus, não olhava para os detalhes da personalidade ou da vida daqueles indivíduos, mas o Mestre olhava para o íntimo daqueles espíritos. Pois paremos e reflitamos um pouco, sobre Levi e o jovem rico (Marcos 10: 17-22). Levi era rechaçado por todo o povo de sua época por ser um publicano. No período da dominação romana, os impostos cobrados foram o que os judeus tiveram mais dificuldade para aceitarem. Logo, eles tinham verdadeiro pavor dos impostos, e consequentemente, dos encarregados de cobrá-los. Mas foi naquele publicano, que o Cristo viu o potencial para levar a sua mensagem aos corações flagelados. Foi aquele que a sociedade constantemente maldizia e desprezava que aceitou de bom grado o trabalho na seara de Jesus e posteriormente, tornou-se um dos quatro evangelistas. Já aquele jovem rico era o modelo ideal de conduta. Seguia desde a mocidade os mandamentos da lei mosaica (Marcos 10:20), mas no entanto o seu coração não trazia a disposição para o trabalho. Dentro de si não havia sentimentos fraternos. Pois quando o Mestre o convidou a dar sua riqueza aos que mais necessitavam e segui-lo ele “contristado com essa palavra saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens” (Marcos 10:22, BJ). Vejam só, que um era marginalizado pela sociedade e o outro era o modelo ideal da sociedade judaica, mas o Mestre não se deixou levar pelo que dizia a sociedade. O Mestre não se deixou levar pelas aparências. Mas ele viu o que cada um trazia dentro de si. ‘Mas nós não podemos ver o íntimo dos outros!’, argumentam alguns. Por isso, devemos nos lembrar de fazermos ao nosso semelhante àquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Porque o amor, esse amor irrestrito e inclusivo, conforme nos exemplificou o Cristo, é o resumo de toda a doutrina que o Cristo nos ensinou, é o que nos propicia andarmos de forma mais segura em nossa estrada evolutiva e ajudarmos na evolução de nosso planeta. O que muitos se esquecem de que o Evangelho é inclusivo. Todos os corações de boa vontade são chamados a espalhá-lo pelo mundo!
O Espírito de Hammed, através da mediunidade de Francisco do Espírito Santo Neto, nos traz alguns ensinamentos muito importantes. Ele nos ensina que as maneiras errôneas de vermos (e compreendermos) a múltiplas manifestações da sexualidade, as múltiplas manifestações religiosas, o casamento, a diversidade étnica e profissional só tem nos afastado da realidade das situações e dos indivíduos. Todos sabem que quando ingressamos na religião x ou y nós temos a tendência de levar para ela nossos preconceitos pessoais e tentar ler a doutrina dessa religião através da lente desses preconceitos. No entanto, o que nos esquecemos é que nós temos que interiorizar o Evangelho e seus ensinamentos eternos e a partir dessa interiorização iniciarmos um processo longo, e muitas vezes difícil, de reforma pessoal. Mas na maioria das vezes temos que começar um processo de reconstrução pessoal. Do contrário, se nós quisermos adequar o Evangelho aos nossos preconceitos, 1) nós vamos continuar afastados da realidade e das situações que nos cercam, e por extensão vamos nos afastar dos nossos semelhantes; e 2) vamos atrasar nossa evolução. A solução que Hammed nos traz, é que “procuremos sintonizar-nos com os olhos espirituais, porquanto nossa percepção intuitiva é mais ampla e precisa que a visão física”. E como é que podemos nos sintonizar com os olhos espirituais? Através do estudo, pois somente ele é capaz de nos livrar de nossos preconceitos pessoais. Querem um exemplo? Veja como uma parte considerável dos “espíritas” pensa sobre a homossexualidade e sobre o indivíduo homossexual. Para muitos é um desvio de conduta, para outros é um processo obsessivo, para alguns quebra da lei divina (ou seja, pecado) e que tais irmãos só podem ser admitidos nas instituições espíritas para se tratarem, jamais para serem trabalhadores. Mas se esquecem esses irmãos de irem atrás da informação. De abrirem o livro Vida e Sexo, no capítulo 21 e lerem e meditarem as considerações de Emmanuel sobre o tema. Esquecem-se de lerem o capítulo 9 do livro Sexo e Destino, e meditarem no que os Benfeitores ensinam para André Luiz sobre a homossexualidade. Estes irmãos tem preguiça, de irem até o YouTube e gastarem cinco minutos ouvindo a opinião de Chico Xavier sobre o tema no programa Pinga-Fogo. E por causa dessa negligência fecham as portas dos centros espíritas, hospitais-escolas do espírito, para estes irmãos. Pois é mais fácil nós nos mantermos na nossa zona de conforto, do que sairmos dela, estudarmos e depois levarmos o nosso conhecimento para o seio de nossas instituições e acolhermos nela TODAS as pessoas de boa vontade, sem restrições, à exemplo do Mestre.
Há ainda outra coisa que muitos tem se esquecido: a vida pessoal dos trabalhadores de uma casa espírita ou de qualquer outra instituição religiosa não desrespeita a ninguém. Desde que o indivíduo viva dentro dos padrões de dignidade e harmonia pessoal, nada mais importa. Acima das condições pessoais de cada um e de suas escolhas de vida, está a conduta de cada indivíduo na maneira correta de conduzir sua existência. Ao que nós não devemos nos esquecer de que, a “maneira correta de conduzir a existência” varia de pessoa para pessoa, pois cada indivíduo é um espírito imortal único, que passou ao longo de suas várias encarnações por um processo de individualização único e que vivenciou experiências e sentimentos únicos. Do que entendemos que, não devemos julgar a quem quer que seja, pois desconhecemos sua situação e história pessoal. Só cabe a nós respeitar o individuo, suas condições íntimas e escolhas pessoais e acolhê-lo fraternalmente.
Em suma, uma instituição espírita, deve ser como o Cristo: aberta para todos aqueles que desejam trabalhar na seara bendita do Mestre. Toda forma de moralismo e legalismo, é terreno cheio de ervas daninhas sufocando as sementes do bem. Não nos esquecemos, que o melhor e único, remédio para vencermos nossos preconceitos pessoais é o estudo e a vontade real de nos reconstruirmos na luz vivificadora do Evangelho. Lembremo-nos que a vida pessoal de quem quer que seja não nos desrespeita, e não nos cabe julgar a ninguém, pois desconhecemos sua história milenar. Inclusão é a palavra chave do Evangelho, pois ele é inclusivo. E uma instituição que se propõe a divulgar a Boa Notícia, deve ser igualmente inclusiva. Pois o amor é o resumo de toda a doutrina que Jesus nos ensinou, e é o amor que fará a redenção da humanidade!

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Jerusalém. Paulus, 2012.

O Evangelho segundo o Espiritismo. Allan Kardec. Trad. J. Herculano Pires. LAKE, 2011.

Renovando Atitudes. Hammed psic. Francisco do Espírito Santo Neto. Boa Nova, 1997.

Constelação Familiar. Joanna de Ângelis psic. Divaldo P. Franco. LEAL, 2012.